Mariana Ianelli, Brasil
FILHOS DO FOGO
Não foi o cansaço da jornada Que de novo nessa noite nos venceu, Mas um sofrimento antigo, igual a sempre, A realidade com sua mão espadaúda Juntando a poeira de uns castelos demolidos, De tudo extraindo o que sobra de nosso, afinal: O irreversível.
Cultivamos rituais silenciosos, Temos dentro de nós a alma do mundo. Fomos feitos para a solidão, A mesma que sente um animal Ao largar o seu rebanho E esperar a morte suavemente Numa longa tarde de chuva em Gibeon.
Damos calor às coisas enquanto é tempo E mais tempo há enquanto estamos mudos. Gozamos um amor tranqüilo, sem heroísmo. Assim acontece certas vezes, por espanto: De um golpe, o infinito nos apanha.
De Fazer Silêncio (2005) tomado de Poesia.net (Carlos Machado)
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Por lobitogabriel - 28 de Marzo, 2007, 15:42, Categoría: poesia
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